OS REFLEXOS EMOCIONAIS DA PANDEMIA NA ALIMENTAÇÃO

Estamos passando por um momento em que tudo está mais aflorado. Nossas emoções e sentimentos, como um todo, estão à flor da pele. Alguns dias estamos mais estressados, outras mais tristes, inquietos, com medo, procrastinando atividades, ansiosos e por aí vai. Tivemos que buscar novas formas para ajudar a passar o tempo e amenizar o sofrimento psíquico e sensações ruins que vira e mexe tendem a aparecer. Cursos online, maratona de filmes e séries, exercícios físicos e até alguns não curtia muito a cozinha, estão entrando na onda de experimentar fazer e aprender receitas.


Em meio a tantas incertezas, imersos num processo de mudanças diárias, podem ser desencadeados episódios de ansiedade e/ou alterações de humor. E ai, você pode me perguntar: Mas psi, como isso tudo pode influenciar na minha alimentação?




Pois bem, muitos de nós temos buscado por uma regulação emocional através da comida. Como uma válvula de escape. Geralmente as comidas que mais chama atenção são aquelas mais gordurosas e doces, pois dão a sensação de prazer imediato ao nosso cérebro. Fazer a ingestão de grandes ou pequenas quantidades de comidas é uma estratégia de regulação emocional. Pessoas que têm maiores dificuldades em lidar com as emoções tendem a desencadear comportamentos alimentares mais desajustados, em alguns casos.


Reflita comigo: quais os motivos que você está utilizando para comer de forma descompensada?

É fome mesmo ou apenas aquela vontade de comer? Na fome física o indivíduo come e fica saciado, independente de qual seja a comida, já a fome emocional ocorre quando o indivíduo come descontroladamente, geralmente comidas gostosas e de rápida absorção, dando maior sensação de prazer (a famosa "vontade de comer"), existe aqui um desejo urgente de comer. Dessa forma, é importante redobrar a atenção e buscar ajuda profissional.


A ansiedade, o medo e o estresse estão em alta, mas lembre-se sempre que comer pode ser um alívio momentâneo, mas que também pode gerar conseqüências a curto e longo prazo. Busque por estratégias para ampliar seu repertório de comportamentos, indo para além das comidas. Leia um livro, faça atividade física, meditação ou yoga, brinque com seu pet, teste algo que envolva sua atenção por completo.


Este é um momento em que precisamos administrar cada vez mais e melhor os pensamentos e emoções. A pandemia causa sim alterações psicológicas, podendo envolver episódios em que descontamos nossos anseios na alimentação, mas precisamos controlar a freqüência com que isso vem acontecendo. O problema não é o comportamento em si, mas a freqüência dele. Encontre maneiras de lidar com as situações sem usar a comida como válvula de escape até que isso possa virar um hábito.
















Marcela Targino, CRP 22/03609, Especialização em Terapia Cognitiva Comportamental

Contato: @marcelatargino.psi

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